Tão assustada.
É assim que eu me sinto depois de tudo o que acontece. Assustada. Não sei se o que eu estou fazendo é certo, mas não consigo deixar de agir por esse impulso.
Eu sei que é um mal meu. Eu ajo por impulso. Hoje você pode ver que eu sou fraca em determinados sentidos e me sinto mal por isso.
Você me faz feliz, é fato. Porém, eu acho que isso tudo pode me fazer mal um dia. Se tudo isso seguir o curso que seguiu na outra vez, eu morrerei. Morrerei de burrice. Morrerei talvez de ingenuidade, talvez de um dos pecados capitais, talvez, ainda, de ódio de mim mesma.
Não quero me sentir assim. O meu mal é sentir apenas o que se passa no momento, sem pensar no futuro.
Você me faz bem.
Mas você entende o que eu quero dizer com "um dia você deixará de me amar, e passará apenas a querer que o tempo volte"? Quisera eu que entendesse! Sabe, uma mentira sua com relação a essa afirmação pode ser fatal.
Morrerei por confiar em você. Por te dar uma chance rara, que só uma pessoa teve até hoje.
Sim, tenho medo de você me enganar. De tudo não passar de uma mentira.
Já vi lágrimas como as suas, elas não provam nada. Já ouvi palavras como as suas. Que prova tenho eu, então, de que tudo não é só mais uma farsa, prestes a ser descoberta, com a sua antiga estaca?
Tenho vontade de gritar de puro desespero. Acho que é uma saudade, como a falta de uma parte de mim. Não é um arrependimento, não posso desfazer e não quero evitar. Só queria ter certeza de que, no fim, sairemos todos vivos (e inteiros, de preferência).
Quero as suas mãos, a sua mente, os seus olhos, o seu coração, quero tudo que há em você. E eu não posso, sei disso, ter tudo isso. Eu não sou a mais bonita, nem a mais inteligente. Não tenho o melhor cabelo, nem o melhor corpo. Eu sei quem eu sou, eu vejo a mim mesma. Eu não tenho a medida exata pra completar você.
Eu escolhi insistir, e você faz tudo isso valer a pena.
Nós não somos mais os mesmos, mas espero que nem tudo se transforme.
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